Há que documentar o vazio. Agora também em mármore!
dubois@aeiou.pt

domingo, junho 22, 2003

Uma história triste e lamechas!

É sabido que o local preferido dos portugueses para passar os tempos livres é o Centro Comercial. Tal é a paranóia que até já existe um canal de TV - SIC Indoor - que se dedica apenas a emitir para centros comerciais. Assemelha-se muito a programação de avião com biliões de spots publicitários, colocados simultâneamente numa matriz colorida de "Consuma, se faz favor!".
Ora, há uns anos atrás apareceu uma lei que obrigou os hipermercados a fechar ao domingo de tarde. Na altura foi uma catástrofe porque a populaça tinha que ficar em casa ou ir a coisas seca, como por exemplo, passear com a família na praia ou fazer picnics, já para não falar em teatro, cinema ou ler um livro (mesmo que no sofá).

Mas esperem, ainda não disse o que queria, estou apenas a construir background...

Os meus pais moram junto a um lar de 3ª idade. Um dia apeteceu-me preencher a minha vida aborrecida com uma experiência sociológica-barra-estatística. Aproveitei a altura em que os hipermercados estavam fechados e passei por lá. Contei os carros dos visitantes que iam ver os seus familiares ao lar. Fiz esta contagem (mental, nada científico) durante uns domingos. Na altura do Natal é aberta uma excepção aos hipermercados, e o estado, com o bolso cheio de cheques, deixa que sejam abertos as catedrais do consumismo. Voltei ao lar e contei durantes uns domingos os carros. A contagem decresceu drasticamente, ou seja, as pessoas preferiam estar a vegetar perante as luzes brilhantes e as cores garridas dos Shoppings do que visitar os familiares que fizeram deles pessoas...